A preparação para a apuração assistida precisa incluir um teste: verificar se a empresa consegue rastrear um crédito do XML até o financeiro. Essa foi uma das recomendações de Luciana Vargas, da área de Compliance da NDD Tech, no Tax Summit - Roadshow, em 27 de outubro, no Prodigy Santos Dumond. Segundo ela, divergências entre documentos, sistemas e pagamentos podem comprometer a apuração e o caixa.
Na palestra sobre cadastro, classificação e compliance, Luciana defendeu que a revisão dos dados venha acompanhada de responsáveis definidos e evidências dos ajustes. Receber uma pré-apuração do fisco, explicou, não elimina o trabalho interno: muda o foco para conferir, auditar, conciliar e justificar diferenças.
Na descrição da palestrante, o fisco utilizará documentos fiscais eletrônicos para organizar uma visão prévia de débitos e créditos. A empresa precisará confrontar esse resultado com seus próprios registros e tratar as divergências dentro do prazo aplicável.
Isso exige cruzar quatro ambientes: ERP, XML, plataforma do fisco e caixas e bancos. A pergunta operacional deixa de ser apenas quanto consta em cada sistema: é preciso explicar por que os valores coincidem ou divergem.
O desafio também aparece no IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026: entre as empresas respondentes, 100% utilizam ERP, mas 31% ainda fazem envio manual na integração interna entre ERP e plataformas de Tax. O levantamento reuniu 190 profissionais da área.
A leitura prática é que possuir sistemas não encerra a preparação. Na recomendação de Luciana, é necessário testar se as informações percorrem essas ferramentas sem perder consistência.
Luciana propôs testar tanto a emissão quanto a recepção de documentos. O documento recebido merece atenção porque, segundo ela, informações incorretas do fornecedor podem afetar o crédito do comprador.
| Ponto de conferência | Verificação recomendada |
|---|---|
| Cadastro e classificação | Revisar produtos, serviços e enquadramento nas tabelas de cClassTrib |
| Documento fiscal | Conferir preenchimento dos campos de IBS e CBS |
| Eventos e ajustes | Integrar devoluções, cancelamentos e notas de débito e crédito |
| Fechamento | Explicar diferenças entre apuração, registros internos e financeiro |
Ela citou eventos da NF-e como instrumentos para informar situações que não aparecem no documento original, incluindo ajustes nas condições de pagamento. Esse cuidado se conecta à necessidade de conciliar eventos e créditos nos sistemas, já abordada pelo portal.
Não, conforme a explicação apresentada por Luciana. Ela destacou a necessidade de documento fiscal idôneo e de extinção do débito tributário correspondente, que pode ocorrer por diferentes mecanismos, incluindo pagamento e compensação com créditos. Portanto, quitar a obrigação comercial com o fornecedor não deve ser confundido com confirmar a condição tributária para apropriação.
Para a palestrante, o fechamento requer um comitê envolvendo fiscal, financeiro, jurídico e compliance. A divisão deve identificar quem valida documentos, acompanha a situação tributária, confere a apuração e aprova os ajustes.
A proposta reforça a importância de uma governança tributária que conecte dados e decisões de caixa. Luciana recomendou calendário de fechamento, matriz de divergências, trilha de evidências e acompanhamento das publicações legais e técnicas.
“Precisa ter alguém dentro de casa olhando essas publicações, olhando, traduzindo, passando o entendimento.”
O encaminhamento da palestra foi não esperar dezembro nem planejar com base em rumores de prorrogação. Revisar cadastros, testar integrações e documentar decisões são tarefas que, na avaliação de Luciana, precisam avançar enquanto as definições técnicas continuam evoluindo.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.