A Carmo Energy montou um time com compras, jurídico, logística e financeiro para testar a reforma tributária, relatou Luiz Loureiro, líder de tax da companhia, no Tax Summit - Roadshow, em 28 de outubro, no Prodigy Santos Dumond. Ao lado de Paulo Ianone, líder de tax da CLA Brasil, ele defendeu avançar na preparação mesmo sem respostas definitivas para as projeções tributárias. O desafio é transformar a mudança fiscal em entregas de toda a operação.
Loureiro contou que assumiu o PMO, a coordenação do projeto de adequação na Carmo Energy. Para mobilizar as demais áreas, apresentou os impactos esperados e identificou onde cada equipe deveria atuar. Segundo ele, foi necessário demonstrar à direção de compras que o trabalho não se restringia ao departamento tributário.
A experiência dá uma aplicação concreta à necessidade de integrar fiscal, financeiro e jurídico nas decisões de caixa: cada área precisa reconhecer quais informações e decisões estão sob sua responsabilidade.
Na avaliação de Ianone, o fiscal terá de traduzir a legislação em orientações compreensíveis para suprimentos. Quem compra precisa encontrar o produto corretamente cadastrado e entender quando uma contratação exige análise de outras áreas, em vez de decidir isoladamente.
Segundo Loureiro, a Carmo Energy definiu cláusulas-padrão para os novos contratos. Nos instrumentos vigentes, a empresa aproveita a assinatura de aditivos para inserir essas cláusulas, priorizando os principais fornecedores. O conteúdo das disposições não foi detalhado no trecho transcrito.
A companhia também preparou uma planilha com alíquotas estimadas para compras comparar o cenário atual ao pós-reforma e apoiar negociações. Loureiro relatou ainda uma simulação baseada nas compras de 2026, para avaliar mudanças nos créditos e nos custos.
Essas projeções são cenários de trabalho, não valores definitivos. O executivo destacou a dificuldade de fechar o orçamento do ano seguinte sem uma alíquota predeterminada e a necessidade de revisar os cálculos conforme surgem novas informações.
Ianone alertou que corrigir o cadastro existente não resolve o problema se não houver uma equipe responsável pelas próximas inclusões e atualizações. Em sua avaliação, o trabalho operacional deve incorporar análise: o profissional precisa compreender a classificação do produto, não apenas preencher campos.
A questão começa antes da apuração, na definição de quem responde pelo dado fiscal na origem. Para os palestrantes, inconsistências cadastrais podem comprometer a conciliação das informações e repercutir no caixa.
O IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026, ajuda a dimensionar esse desafio: entre as empresas respondentes, apenas 18% apresentavam níveis avançados no tratamento ou saneamento de dados. O levantamento ouviu 190 profissionais de Tax.
Loureiro afirmou que a Carmo Energy está testando XMLs, faturamento, entrada de notas e apuração assistida. A decisão, segundo ele, foi seguir com o que já pode ser executado, apesar das incertezas.
No debate, Ianone usou uma compra parcelada em seis meses para ilustrar um possível descompasso entre o aproveitamento de créditos e a tributação de uma venda imediata. O exemplo foi apresentado como alerta para avaliar prazos de pagamento e necessidade de caixa, não como cálculo fechado para qualquer operação.
Os palestrantes também apontaram o esforço de conciliar apurações antigas, novas e assistidas durante a transição. A preparação, portanto, exige avaliar a capacidade da equipe e assegurar continuidade depois dos testes — preocupação que também aparece na adequação de sistemas além da entrada em produção.
O caso da Carmo Energy mostra uma prioridade prática: distribuir responsabilidades e testar processos enquanto as projeções são atualizadas. Para o fiscal, coordenar essa execução não significa absorver sozinho todas as tarefas.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.