Governança tributária exige decidir onde fica a margem

No Tax Summit, Manoela Floret mostra como conectar decisões fiscais a caixa, estoques e margens, com exemplos sobre CBS e tarifas dos Estados Unidos.

Live University - Confebpublicado em 28 out. 2026 · 5 min de leitura
Governança tributária exige decidir onde fica a margem

Governança tributária exige decidir quem assume riscos e onde fica a margem, não apenas apurar impostos corretamente. Essa foi uma das mensagens de Manoela Floret, head de Tax & Customs para a América do Sul da Michelin, no Tax Summit - Roadshow, realizado em 28 de outubro, no Prodigy Santos Dumond. Com exemplos de CBS e tarifas dos Estados Unidos, ela mostrou por que decisões fiscais precisam envolver outras áreas.

Compliance é a base, não o limite

Na definição apresentada por Manoela, governança é um sistema para decidir, controlar e monitorar. O compliance responde se a empresa cumpre regras, recolhe corretamente os tributos e entrega suas obrigações. A governança acrescenta perguntas sobre impactos, responsabilidades e decisões.

A palestrante rejeitou a ideia de que o tax compliance seja uma atividade exclusivamente operacional e pouco estratégica. Para ela, a conformidade é indispensável: um projeto de governança não se sustenta sem execução correta.

O documento fiscal incorreto ilustra a diferença. Enquanto a execução corrige o documento, a governança identifica e trata a causa para evitar recorrências, explicou.

Seis pilares precisam funcionar juntos

Manoela organizou a governança em seis pilares conectados:

Pilar Foco apresentado na palestra
Estratégia Alinhar o negócio à estratégia fiscal e aos limites de risco
Pessoas Combinar conhecimento técnico, comportamento e responsabilidades
Riscos Avaliar materialidade, impactos e prioridades
Processos Padronizar e preservar conhecimento nas mudanças de equipe
Dados e tecnologias Trabalhar informações e automatizar com fundamento técnico
Monitoramento Acompanhar resultados e comunicar do analista ao diretor

A necessidade de trabalhar os dados encontra contexto no TPI — Tax Performance Index, da Confeb, de 2026: entre as empresas respondentes, o pilar Performance alcançou 68 pontos, enquanto Capacidade Analítica ficou em 40, numa escala de 0 a 100.

Para Manoela, automatizar sem conhecimento fiscal ou sem compreender a estratégia pode produzir soluções inadequadas. A tecnologia, portanto, não substitui a definição do problema nem a responsabilidade pela decisão.

CBS pode exigir uma conversa além da tesouraria

Em um exercício explicitamente hipotético, a executiva imaginou um descasamento entre pagamentos da CBS e aproveitamento de créditos. O exemplo não foi apresentado como regra da transição nem como ocorrência comprovada na empresa.

A questão proposta foi o que fazer diante de uma pressão adicional sobre o caixa. Segundo ela, seria necessário avaliar com a tesouraria eventual financiamento, sua origem e possíveis efeitos envolvendo IOF, subcapitalização e preços de transferência.

A análise também deveria alcançar os clientes. Na hipótese discutida, dificuldades de capital de giro poderiam levar a pedidos de desconto, prazos maiores ou mudanças nas compras. Para uma indústria, vendas menores poderiam elevar estoques e pressionar a armazenagem, porque a produção não se ajusta imediatamente.

O exemplo reforça a necessidade de unir áreas antes de decidir o caixa, tema já abordado pelo portal.

Infográfico: Governança tributária exige decidir onde fica a margem
Infográfico: Governança tributária exige decidir onde fica a margem

Tarifas colocam a margem no centro da decisão

No segundo exemplo, Manoela discutiu exportações intragrupo aos Estados Unidos. Diante de uma tarifa, a decisão seria reduzir o preço de exportação ou deixar a empresa no destino absorver o custo. A escolha sobre onde manter a margem, afirmou, alcança preços de transferência e imposto de renda no Brasil.

Ela também apontou discussões de valoração aduaneira associadas a ajustes de débito e crédito em preços de transferência. Sobre a incidência de CBS nesses ajustes, levantou uma dúvida, sem apresentar conclusão jurídica.

A defesa foi de uma decisão integrada entre Brasil, exterior e negócio, com definição de quem assume o risco. É uma conexão direta com a discussão sobre dar voz a Tax antes de definir preços e margens.

Revisar faz parte da rotina

Segundo Manoela, mudanças normativas, aquisições, cisões e falhas de controle devem provocar revisões da governança. A impossibilidade de renovar uma CND, por exemplo, exige investigar o que falhou na execução.

O próximo passo defendido pela palestrante é tornar essa revisão contínua: identificar os envolvidos, comunicar os impactos e decidir com visão do conjunto, em vez de encerrar o trabalho na apuração.

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Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.

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