Infra S.A. detalha jornada rumo ao nível 2 do IA-CM em seminário do CFC

Chefe de auditoria da Infra S.A. explica em seminário do CFC como documentação, e-CGU e certificação CIA ajudaram a estatal a avançar no modelo IA-CM.

Redação Portal Taxpublicado em 4 out. 2026 · 5 min de leitura
Infra S.A. detalha jornada rumo ao nível 2 do IA-CM em seminário do CFC

O que foi apresentado

No dia 30 de setembro de 2026, uma palestra abriu o segundo dia do Seminário de Contabilidade, Auditoria e Controle para Conselhos de Fiscalização Profissional, promovido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). O módulo, batizado "A jornada da Auditoria da Infra S.A.: Rumo ao nível 2 do IA-CM", trouxe o relato de Wagner Rosa da Silva, chefe de Auditoria Interna da estatal, sobre o processo de preparação da área para alcançar o nível 2 do Internal Audit Capability Model (IA-CM).

O IA-CM é um modelo internacional de maturidade para auditoria interna, usado para avaliar e estruturar o avanço de unidades de controle em etapas progressivas. A própria fala de Wagner situa a escala: ele citou o nível 3, chamado "Integrado", como a próxima meta da Infra S.A. após consolidar o nível 2 — etapa em que a auditoria passa a trabalhar com foco em riscos e a atuar também como consultoria estratégica dentro da organização.

Documentar para não depender de pessoas

Um dos pontos centrais da apresentação foi a documentação das rotinas de auditoria como forma de proteger o conhecimento acumulado pela equipe. Segundo Wagner, a saída repentina de um profissional que concentra informações críticas pode travar processos inteiros se não houver registro formal das atividades.

A gente precisa documentar. Se a pessoa sai de uma hora para outra e aquele conhecimento estivesse só com ela, complica tudo. Por isso, documentar é muito importante para manter o processo assegurado. (autor) Wagner Rosa da Silva, chefe de Auditoria Interna da Infra S.A.

Para quem lida com controles internos em empresas de médio e grande porte, o ponto não é novidade conceitual, mas reforça um risco recorrente em áreas de auditoria e controladoria: processos que só existem na cabeça de quem os executa viram passivo operacional assim que há troca de equipe.

Uma ferramenta gratuita do governo federal

Para padronizar as atividades, a Infra S.A. recorreu ao e-CGU, sistema de auditoria mantido pela Controladoria-Geral da União (CGU) e disponibilizado sem custo a órgãos e entidades que se enquadram no seu escopo de uso. Wagner descreveu a escolha como uma forma de evitar gasto com sistema próprio.

Nós utilizamos a nosso favor o poder do sistema central; não deu trabalho de contratar um sistema de auditoria, já tínhamos um pronto e gratuito mantido pela CGU. (autor) Wagner Rosa da Silva, chefe de Auditoria Interna da Infra S.A.

O detalhe importa para quem avalia custo de estruturação de controles: a fonte não detalha critérios de elegibilidade do e-CGU para outras organizações, nem se o sistema está aberto a empresas privadas — informação que fica em aberto para quem quiser replicar a experiência fora do universo de estatais e órgãos públicos.

Avaliação dividida entre toda a equipe

A Infra S.A. também mudou a forma de conduzir a autoavaliação exigida pelo IA-CM nas dez Áreas-Chave de Processo (KPAs) do modelo. Em vez de concentrar o trabalho na chefia e nos cargos comissionados, a estatal distribuiu as análises entre todos os auditores do setor.

Quando começamos a fazer as avaliações dos KPAs, em vez de sentar só o auditor-chefe e os comissionados, nós sentamos com todos os auditores e dividimos as tarefas. Todo mundo se envolveu e isso faz a diferença. (autor) Wagner Rosa da Silva, chefe de Auditoria Interna da Infra S.A.

Certificação CIA e apoio da alta administração

A capacitação técnica da equipe foi outro eixo da apresentação. Wagner citou a importância de treinamentos e de certificações internacionais, como a Certified Internal Auditor (CIA), além do respaldo da alta administração para viabilizar essas iniciativas dentro da estatal.

Ter profissionais da casa certificados traz uma segurança muito maior para a instituição e eleva o nível de atuação da nossa equipe. (autor) Wagner Rosa da Silva, chefe de Auditoria Interna da Infra S.A.

O que vem depois do nível 2

Para Wagner, buscar o selo de nível 2 do IA-CM não é um fim em si. Ele enquadrou o processo como etapa de um caminho mais longo, que passa pelo nível 3 ("Integrado"), com auditoria baseada em riscos e atuação de consultoria estratégica junto à governança da empresa.

O objetivo maior do IA-CM não é dizer que tivemos um selo, mas demonstrar que a auditoria se preparou para atuar de forma integrada à governança, preocupada com os objetivos da empresa e querendo agregar valor. (autor) Wagner Rosa da Silva, chefe de Auditoria Interna da Infra S.A.

Programação do seminário

O evento integra o Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC) do CFC e reúne contadores, auditores e gestores que atuam em conselhos de fiscalização profissional de todo o país. Na tarde do mesmo dia, a programação seguiu com uma oficina prática intitulada "Desenhando controles para processos", voltada ao planejamento de controles e processos de recuperação de créditos a receber — tema que dialoga diretamente com rotinas de controladoria em empresas que lidam com inadimplência e cobrança.

Redação Portal TaxAutor

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