A reforma tributária nas empresas exige que decisões sobre créditos, contratos e caixa deixem de ser tomadas por áreas isoladas. Essa foi a defesa de Igor Leite, head financeiro da HD Hyundai Construction S/A, no Tax Summit - Roadshow, realizado em 27 de outubro, no Prodigy Santos Dumont. Para o executivo, a transição demanda um comitê que reúna tributário, financeiro, contabilidade, jurídico, compras e vendas.
Na palestra sobre quem deve ser responsável por cada decisão tributária, no palco Tax Operations, Leite afirmou que a simplificação pretendida pela reforma será precedida por uma etapa de maior complexidade. Segundo sua avaliação, as empresas conviverão com sete impostos durante pelo menos sete ou oito anos, o que exigirá revisar a cadeia decisória.
Na proposta do palestrante, nenhuma área deve decidir sozinha quando os efeitos atravessam diferentes processos. A análise precisa reunir quem interpreta a regra, registra a operação, negocia as condições comerciais e administra o dinheiro.
Leite argumentou que a separação entre departamentos já provoca perda de produtividade e aumento de custos. Durante a transição, essa fragmentação tende, em sua avaliação, a dificultar decisões que dependem simultaneamente de informações fiscais e financeiras.
O tema se conecta à discussão sobre dar voz a tax antes de decidir preços e margens: a participação da área tributária precisa ocorrer antes da decisão comercial, e não apenas na apuração posterior.
Para ilustrar o problema, Leite apresentou o caso de uma empresa que avaliava contratar um empréstimo apesar de possuir créditos de PIS/Cofins recuperáveis. O exemplo mostrou como uma informação tributária pode alterar a análise de uma necessidade financeira.
A recomendação do executivo foi integrar as duas áreas antes de contratar dívida. Isso não significa tratar qualquer saldo fiscal como dinheiro imediatamente disponível: a decisão conjunta precisa considerar a possibilidade de recuperação e sua utilidade para o planejamento de caixa.
A pesquisa TPI — Tax Performance Index, da Confeb, de 2026, oferece um contexto para essa integração: entre as empresas respondentes, Relacionamento recebeu 41 pontos, a menor nota nos pilares de maturidade da gestão de KPIs. O indicador está ligado ao acompanhamento de prazos de resposta e satisfação interna com a área de Tax.
As recomendações apresentadas por Leite abrangem tarefas que ultrapassam o departamento fiscal. O trabalho conjunto pode ser organizado pelas seguintes frentes:
| Frente | Revisão recomendada pelo palestrante |
|---|---|
| Operação fiscal | Controles de materiais e cadastros de fornecedores |
| Contratos e preços | Condições contratuais com jurídico e negociações com compras |
| Caixa | Créditos recuperáveis, necessidade de empréstimos e efeitos do split payment |
| Sistemas | ERP, integração bancária e conciliação dos pagamentos |
Leite destacou que o split payment altera a gestão financeira ao separar o imposto no pagamento do cliente, reduzindo a folga entre receber pela venda e recolher o tributo. Por isso, recomendou preparar o ERP e os modelos bancários para reconhecer e conciliar os valores interceptados.
O executivo também apontou dificuldades para controlar e reconhecer créditos da CBS enquanto o mecanismo não estiver implementado. Na sua avaliação, comprovar o recolhimento pelo agente anterior da cadeia exigirá processos específicos e trabalho adicional.
Essa preocupação reforça a necessidade de conciliar eventos e créditos nos sistemas, em vez de tratar a adaptação como uma simples mudança de parâmetros fiscais.
Para a equipe tributária, a implicação prática é participar das decisões antes que contratos, preços e financiamentos estejam definidos. Na proposta de Leite, o comitê integrado deve transformar informações dispersas em decisões conjuntas durante a transição.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.