Migrar o ERP sem redesenhar os processos tributários pode apenas transportar falhas antigas para um sistema novo. Esse foi o alerta de Marcello Maccari e Leonardo Perroco, da Vertex, no Tax Summit - Roadshow, realizado em 27 de outubro, no Prodigy Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Para os executivos, a reforma tributária exige integrar cálculo, dados e obrigações, com participação conjunta de Fiscal e TI.
Na palestra “A década em que a tecnologia tributária deixou de ser coadjuvante”, no palco Tax Innovation, eles defenderam que a modernização precisa mudar a maneira de trabalhar, não apenas a plataforma utilizada. O objetivo é deslocar a equipe de correções e tarefas repetitivas para prevenção, simulação e decisões de negócio.
Trocar a plataforma não resolve o processo
Maccari criticou projetos que reproduzem no novo ERP as rotinas existentes e deixam as melhorias para depois. Na avaliação dos palestrantes, conduzir a transição apenas por TI pode deixar necessidades fiscais de fora; concentrá-la exclusivamente no tributário pode limitar a avaliação das tecnologias disponíveis.
O contraste entre infraestrutura e processos aparece no IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026. Entre as empresas respondentes, 100% utilizam ERP, mas 31% ainda fazem envio manual na integração interna entre ERP e plataformas de Tax. O levantamento ouviu 190 profissionais da área.
Os executivos recomendaram reduzir customizações e preservar o acesso às informações históricas. Segundo eles, recuperar dados de períodos anteriores para uma fiscalização se torna mais difícil quando sucessivos ajustes alteram a lógica dos sistemas.
Cálculo fora do ERP e uma base compartilhada
Uma das propostas apresentadas foi manter a parametrização e o cálculo tributário em soluções conectadas ao ERP, em vez de concentrar toda alteração dentro dele. Os palestrantes defenderam esse desenho para reduzir a dependência de ciclos demorados de atualização.
Maccari relatou situações em que empresas levavam 90 dias para aplicar uma regra no sistema. Na avaliação dele, essa demora contrasta com a necessidade de responder rapidamente a mudanças tributárias.
A arquitetura defendida deve conectar quatro frentes:
- Conteúdo tributário: acompanhamento e atualização das regras aplicáveis.
- Motor de cálculo: parâmetros consistentes para as operações.
- Obrigações acessórias: conexão com os registros e documentos emitidos.
- Inteligência tributária: simulações para apoiar o planejamento.

Perroco destacou a necessidade de centralizar o controle das informações hoje dispersas entre sistemas e planilhas. A proposta é garantir consistência entre o que se calcula, o que consta na nota e o que chega às obrigações. Essa revisão também passa por cadastros, XMLs e integrações na preparação para a reforma.
IA acelera tarefas, mas mantém a validação
Maccari relatou que, em algumas multinacionais, mapear regras manualmente, atualizá-las e inseri-las no sistema levava de quatro a oito semanas. Em um caso real apresentado sem identificação da empresa, afirmou que a IA carregava informações em milissegundos para testes, validações e simulações.
Esse tempo se refere ao carregamento descrito, não à conclusão de todo o trabalho tributário. No fluxo apresentado, cabe ao usuário aprovar o resultado ou solicitar ajustes.
Os palestrantes também estimaram que manter, atualizar e gerir o modelo atual nos próximos sete anos custaria três vezes mais do que migrar e automatizar. A apresentação não detalhou as premissas desse cálculo; portanto, a comparação não equivale a um orçamento aplicável a qualquer empresa.
O ganho esperado está na decisão antecipada
Para os executivos, Compras precisará atuar mais próxima do Fiscal para avaliar tributação, créditos e efeitos financeiros antes de negociar. Isso reforça a importância de simular preços e margens nos contratos, em vez de considerar apenas o valor cobrado pelo fornecedor.
A recomendação central foi aproveitar a migração para definir responsabilidades, conectar informações e reduzir reprocessamentos. A tecnologia tributária, nessa visão, deve permitir que a equipe participe da decisão antes da operação, e não apenas corrija seus efeitos depois.
Redação Live News
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.
