Preparar a empresa para a reforma tributária exige revisar documentos, cadastros e integrações antes que falhas comprometam o faturamento. Essa foi a orientação de Suzanne Fernandes, coordenadora de Serviços da Invent Software, no Tax Summit - Roadshow, realizado em 27 de outubro, no Prodigy Santos Dumond. A palestrante alertou que a flexibilização das rejeições de notas não deve ser confundida com dispensa de adequação.
A mensagem central foi que atualizar o software não basta. Segundo Fernandes, a preparação envolve as entradas e saídas de documentos, a escrituração, o treinamento das equipes e decisões sobre fornecedores, preços e contratos.
Flexibilização das rejeições não encerra a adequação
Ao recapitular a fase de testes de 2026, Fernandes relatou que a flexibilização das validações deu tempo às empresas para ajustar operações. Na avaliação dela, esse intervalo precisa ser usado para corrigir inconsistências, e não para adiar o trabalho.
Entre os riscos apontados estão campos obrigatórios ausentes no XML, incompatibilidades entre o Código de Situação Tributária (CST) e a classificação tributária (cClassTrib), além de cálculos que desconsideram tratamentos específicos.
A palestrante recomendou conferir alíquotas e valores nas tabelas oficiais e examinar exceções, como alíquota zero e diferimento. Esse cuidado também orienta a verificação dos requisitos antes de aplicar alíquotas reduzidas de IBS e CBS: o enquadramento precisa corresponder à operação efetivamente realizada.
O que revisar primeiro na operação fiscal
As recomendações apresentadas podem ser organizadas em cinco frentes:
| Frente | Revisão recomendada na palestra |
|---|---|
| Documentos | Conferir estrutura do XML, campos e cálculos |
| Cadastros | Revisar NCM, CFOP, CST e cClassTrib |
| Integrações | Verificar o reflexo dos documentos na escrituração |
| Pessoas | Capacitar equipes para trabalhar com os dois modelos |
| Controle | Conciliar informações e acompanhar normas técnicas |

Fernandes destacou que a integração contábil e fiscal precisa acompanhar as mudanças na emissão. A orientação é manter uma rotina de conciliação entre o modelo atual e o novo, preservando histórico e memória de cálculo.
O desafio das integrações aparece também no IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026. Entre as empresas respondentes, 49% apontaram complexidade nas integrações entre sistemas na adaptação à reforma; 55% citaram a capacitação da equipe como barreira à evolução tecnológica em Tax.
Preparação para 2027 inclui preços, caixa e créditos
Ao abordar 2027, Fernandes apresentou a substituição de PIS e Cofins pela CBS como um marco da transição e afirmou que a alíquota ainda dependia de definição. Para o planejamento, sua recomendação foi comparar cenários, sem limitar a análise à emissão da nota.
No financeiro, ela chamou atenção para o split payment, mecanismo que prevê o recolhimento do tributo na liquidação financeira. Segundo a palestrante, essa dinâmica exige redesenhar o fluxo de caixa. Na precificação, o imposto por fora pede revisão de margens e contratos de longo prazo.
A análise deve alcançar fornecedores e itens mais impactados, inclusive compras de empresas do Simples Nacional. A simulação de preços, margens e contratos durante a transição ajuda a organizar essa comparação.
Fernandes também recomendou levantar os créditos de PIS e Cofins até dezembro, acompanhando as regras para utilização posterior. Nesse trabalho, a revisão dos estoques e do histórico de créditos na entrada da CBS merece atenção para evitar duplicidades.
Simulação precisa chegar ao nível do item
Na apresentação, Fernandes demonstrou o Simulador da Reforma Tributária da Invent. Segundo ela, a ferramenta utiliza documentos fiscais e obrigações acessórias para comparar a tributação atual com projeções de IBS e CBS, inclusive por item e por ano de transição.
A demonstração foi comercial; os resultados não foram verificados independentemente. A recomendação operacional, porém, foi clara: simular impactos por operação, revisar premissas e envolver outras áreas antes de transformar projeções em preços, contratos e configurações definitivas.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.
