Cristiane Drumond e Estevão Ximenes, da TP Digital, defenderam transformar os preços de transferência de uma entrega anual de documentos em um processo de monitoramento mensal. Na palestra “Transfer Pricing 4.0”, apresentada no Tax Summit - Roadshow nesta quarta-feira (28/10), no Prodigy Santos Dumond, os especialistas sustentaram que acompanhar a rentabilidade durante o exercício amplia o tempo para identificar riscos e avaliar ações antes do fechamento.
A proposta, apresentada no palco Tax Innovation, desloca o foco da preparação de arquivos sobre o passado para a gestão das operações em andamento. Segundo os palestrantes, automação e inteligência artificial devem liberar tempo para análise, sem substituir a decisão dos especialistas.
Na avaliação de Cristiane e Estevão, o modelo alinhado às diretrizes da OCDE exige análises funcionais e de comparabilidade mais complexas do que os cálculos predefinidos das regras anteriores. Isso torna insuficiente apenas acelerar a produção dos documentos ao fim do processo.
O problema descrito na palestra começa com a coleta manual de informações e termina na descoberta tardia de desvios de lucratividade. Quando a análise ocorre depois do encerramento do exercício, as alternativas de reação ficam mais restritas, argumentaram.
“Uma coisa que é importante a gente falar nesse sentido é que isso não é um problema das empresas, é um problema do modelo.”
A organização das informações é o primeiro passo dessa mudança, em linha com o mapeamento de operações controladas, contratos e funções. Sem essa base, o monitoramento pode ganhar velocidade sem ganhar consistência.
O Operational Transfer Pricing, ou OTP, foi apresentado como o acompanhamento mensal e consolidado da rentabilidade em comparação com um benchmark. Segundo os especialistas, essa rotina permite identificar riscos de ajuste e avaliar possíveis correções durante o próprio exercício.
Os palestrantes organizaram o TP 4.0 em cinco pilares:
A mudança aproxima a rotina de preços de transferência de uma gestão tributária que mede margem, não apenas prazos. O indicador deixa de servir somente à documentação e passa a alimentar discussões sobre o resultado das operações.
O IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026, ajuda a contextualizar esse desafio: entre as empresas respondentes, Transfer Pricing aparece com 11% em níveis avançados de maturidade tecnológica. O levantamento ouviu 190 profissionais de Tax e identificou o processo entre os menos maduros avaliados.
Na apresentação do Simplify, Estevão mostrou uma ferramenta que, segundo os palestrantes, centraliza dados e etapas dos projetos. O fluxo inclui formulários adaptados às transações e geração de um perfil funcional preliminar com apoio de IA.
A seleção de empresas comparáveis também foi descrita como uma combinação de triagem automatizada e revisão manual, com registro dos motivos de rejeição. Conforme a apresentação, o dashboard permite simular a posição da lucratividade em relação ao intervalo interquartil das comparáveis e calcular o ajuste pela mediana.
Os especialistas também apresentaram a automatização de documentos e do bloco X da ECF, sempre com revisão final da equipe técnica. As funcionalidades foram demonstradas pelos representantes da empresa; não constituem uma avaliação independente da solução.
O limite acompanha a discussão sobre automatizar tarefas sem delegar o risco fiscal à IA. Para a rotina tributária, a implicação central é antecipar a análise: organizar dados, acompanhar resultados e submeter alternativas à avaliação técnica enquanto ainda há tempo para decidir.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.