Cumprir obrigações no prazo não deve ser o único centro da gestão tributária. Na palestra “Confeb Insights: o retrato da maturidade em Tax no Brasil”, nesta terça-feira (27), Lucio Mancini e Alex Leite defenderam ampliar os indicadores de Tax para incluir recuperação de créditos, benefícios fiscais e contribuição à margem do negócio. A discussão ocorreu no Tax Summit - Roadshow, no Prodigy Santos Dumont.
O contraste aparece no TPI — Tax Performance Index, da Confeb, de 2026: entre as empresas respondentes, 74% apontaram obrigações corretas e no prazo entre os indicadores mais importantes, ante 51% para recuperação de créditos. No monitoramento, 62% citaram planilhas e 42%, BI sem integração. Já a automação fiscal foi indicada por 63% como prioridade para os próximos 12 meses.
Os palestrantes descreveram uma área pressionada pelo receio de descumprir vencimentos e sofrer autuações. A recomendação não foi abandonar a conformidade, mas abrir espaço para indicadores que mostrem a contribuição de Tax às decisões empresariais.
Para transformar essa orientação em rotina, vale separar o que cada indicador permite decidir. O quadro abaixo é uma síntese prática da discussão, não um ranking apresentado no evento.
| Dimensão | O que acompanhar | Decisão apoiada |
|---|---|---|
| Conformidade | Obrigações corretas e no prazo | Corrigir falhas e priorizar riscos |
| Financeira | Recuperação de créditos e benefícios fiscais | Avaliar oportunidades e efeitos na margem |
| Operacional | Tempo de fechamento e tarefas manuais | Rever processos e distribuir capacidade |
| Relacionamento | Prazo de resposta e satisfação interna | Ajustar o atendimento às outras áreas |
Adicionar indicadores, porém, não garante resultado. Cada medida precisa ter responsável, origem dos dados e uma ação prevista quando houver desvio. Sem isso, o painel pode apenas aumentar o trabalho de consolidação.
Mancini e Leite chamaram atenção para o BI que não acompanha automaticamente os registros do ERP. Nesse cenário, a visualização pode depender de uma nova intervenção manual, mesmo quando a informação já existe no sistema de origem.
A consequência prática é revisar o caminho entre lançamento, apuração e indicador. Essa discussão se conecta ao cuidado de rever os processos tributários antes de migrar o ERP: trocar a ferramenta sem corrigir o fluxo pode preservar o problema.
Na reforma tributária, os palestrantes recomendaram ampliar esse olhar para outras áreas. Compras, por exemplo, precisará rever orçamento, metas e indicadores de saving diante das mudanças nos valores de aquisição e nos créditos. Por isso, simular preços e margens em conjunto com Compras ajuda a organizar as premissas antes de comparar resultados.
Na avaliação dos palestrantes, consultar uma IA generativa não equivale a ter uma aplicação automática integrada à operação. Eles defenderam usar a tecnologia para identificar possíveis desvios nos indicadores e sugerir ações, em vez de apenas explicar resultados já encerrados.
Também recomendaram estabelecer limites para agentes de IA: diante de dúvidas ou decisões fora de sua autonomia, a ferramenta deve interromper a tarefa e alertar o profissional de Tax.
Como aplicação prática dessa orientação, um projeto pode começar com três definições:
Tempo disponível, capacitação e complexidade operacional foram destacados na palestra como barreiras à melhoria da área. Antes de acrescentar um painel, portanto, convém dimensionar a carga da equipe fiscal e seus picos de trabalho.
O encaminhamento é escolher um processo relevante, validar os dados e definir a decisão que o indicador deverá apoiar. A automação ganha utilidade quando reduz esforço de consolidação e abre espaço para análise — sem retirar do profissional a responsabilidade pelas decisões tributárias.
Redação Live News
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.