A preparação para IBS e CBS precisa ir além do cálculo dos tributos e integrar decisões, dados e controles para proteger o caixa, defendeu Ana Anaia, Solution Consultant Manager da Thomson Reuters, no Tax Summit - Roadshow. Na palestra de 27 de outubro, no Prodigy Santos Dumond, ela apontou a gestão da conciliação e da contabilização como o ponto mais crítico da transição.
O alerta desloca o foco da entrega tecnológica para a capacidade de cada empresa produzir informações aderentes às exigências fiscais. Segundo Anaia, sistemas são suporte: cabe ao negócio entender seus impactos, suas particularidades e quais informações consegue entregar.
O contraste aparece no IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026: todas as empresas respondentes utilizam ERP, mas apenas 14% apresentam alta maturidade no monitoramento de fornecedores. O levantamento ouviu 190 profissionais de Tax e ajuda a contextualizar a distância entre dispor de sistemas e manter controles preventivos.
Anaia organizou a governança tributária em quatro pilares complementares:
| Pilar | Prioridade apresentada na palestra |
|---|---|
| Pessoas | Capacitar equipes para compreender a reforma e decidir |
| Processos | Rever fluxos que podem não atender à transição |
| Dados | Identificar informações ausentes e corrigir cadastros |
| Tecnologia | Sustentar integração, conciliação e contabilização |
Na avaliação da palestrante, o diagnóstico não termina com o primeiro mapeamento. Cada definição do fisco pode exigir nova revisão de processos. Ela relatou que algumas empresas já estabelecem critérios de decisão para responder mais rapidamente às liberações, evitando que a indefinição de responsabilidades atrase os projetos.
“Crédito amplo só vale se for apropriado e se for defendido”, afirmou Anaia. Segundo ela, o cruzamento de informações pelo fisco amplia a preocupação com glosas e torna relevante acompanhar também a aderência dos fornecedores às regras.
A palestrante relatou que clientes fizeram um pente-fino nos fornecedores ao longo do ano. Também defendeu a revisão cadastral contínua, mesmo depois dos trabalhos de saneamento já realizados.
A consequência prática é acompanhar débitos e créditos durante a operação, em vez de concentrar a conferência no fechamento. Esse cuidado se conecta à necessidade de conferir cada crédito na apuração assistida, confrontando informações e tratando divergências.
Anaia relatou ainda que empresas vêm simulando preços e revisitando contratos longos. O movimento aproxima o tributário das decisões comerciais, tema também presente na discussão sobre a participação de tax na definição de preços e margens.
A executiva mencionou informações extraoficiais sobre possíveis flexibilizações para alguns segmentos, especialmente serviços. Ressalvou, porém, que essa possibilidade não estava definida e não significaria desobrigação. Também relatou expectativa, baseada em comentários que acompanhava, de divulgação de uma primeira versão da alíquota da CBS naquela semana — não um anúncio oficial.
Sua recomendação foi avançar com melhores práticas enquanto faltam definições, pois ajustar parâmetros pode ser mais simples do que desenvolver uma solução do zero. Segundo ela, é necessário delimitar o que será entregue pelo ERP e quais demandas exigirão outras soluções.
Isso reforça a importância de revisar cadastros, XMLs e integrações sem travar o faturamento, mantendo a operação enquanto os projetos avançam.
Ao apresentar a proposta da Thomson Reuters, Anaia afirmou que a empresa reúne 17 companhias fora do piloto do fisco para discutir necessidades de negócio e desenvolver sua plataforma. A experiência foi citada como exemplo de construção tecnológica apoiada em problemas operacionais.
Para as equipes fiscais, a implicação é manter responsabilidades claras, dados revisados e decisões sustentáveis e auditáveis. Como resumiu a palestrante: “quem governa os dados governa o caixa”.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.