Reforma tributária pressiona equipes a operar dois sistemas

No Tax Summit, especialistas discutem orçamento, capacitação e apoio externo para preparar equipes fiscais sem comprometer as entregas da operação atual.

Live University - Confebpublicado em 28 out. 2026 · 5 min de leitura
Reforma tributária pressiona equipes a operar dois sistemas

As empresas precisam preparar suas equipes fiscais para operar dois sistemas tributários sem interromper as entregas atuais, alertaram Maria Helena Ferreira e Ricksson Petry, da GESIF, no Tax Summit — Roadshow, nesta quarta-feira (28), no Prodigy Santos Dumond. O ponto central da palestra foi a capacidade das pessoas: adaptar sistemas e acompanhar a legislação não substitui orçamento, capacitação e distribuição de trabalho.

“Serão dois sistemas e a gente tem um time só”, resumiram os palestrantes. A discussão, no palco Tax Strategy, tratou do redesenho das equipes para o período de convivência abordado na sessão, entre 2027 e 2033.

O orçamento precisa incluir quem executa a mudança

Ferreira e Petry questionaram se as empresas reservaram recursos para ampliar o quadro, capacitar profissionais e contratar consultoria especializada. A provocação desloca a preparação da reforma de uma agenda exclusivamente tecnológica para uma decisão de capacidade operacional.

A pressão sobre as equipes também aparece no TPI — Tax Performance Index, da Confeb, de 2026: entre as empresas respondentes, 51% citaram falta de tempo como barreira para melhorar o desempenho dos indicadores tributários, e 46% apontaram capacitação da equipe. Os resultados ajudam a contextualizar o desafio de acrescentar novas demandas à rotina existente.

Na prática, a discussão exige separar o trabalho que mantém a operação daquele necessário à mudança. Essa é uma leitura de gestão dos alertas apresentados: sem explicitar as duas cargas, a empresa corre o risco de tratar a preparação como uma tarefa adicional sem responsável ou disponibilidade definidos.

A capacitação também precisa ter aplicação operacional, como já abordamos ao discutir treinamentos ligados à rotina fiscal, e não apenas conhecimento das novas regras.

Apoio externo não deve deixar a operação descoberta

Os palestrantes recomendaram buscar alternativas no mercado para demandas sazonais. Também alertaram contra concentrar os melhores profissionais na reforma e, com isso, colocar em risco a operação tributária atual.

A recomendação não equivale a terceirizar toda a transição. O desafio é decidir quais atividades precisam permanecer sob domínio da equipe e onde um reforço pode absorver picos de trabalho.

Como desdobramento prático da discussão, estas perguntas ajudam a organizar essa decisão:

Frente Pergunta para a liderança
Operação atual Quem mantém as entregas quando especialistas estão dedicados à reforma?
Preparação Há tempo e orçamento reservados para capacitação e adaptação?
Apoio externo Qual demanda sazonal justifica reforço e quem acompanha sua execução?
Infográfico: Reforma tributária pressiona equipes a operar dois sistemas
Infográfico: Reforma tributária pressiona equipes a operar dois sistemas

Preços, contratos e estoques exigem outras áreas

Ferreira e Petry demonstraram preocupação com empresas que ainda concentram a preparação apenas no tributário. Recomendaram envolver pricing e jurídico diante dos efeitos sobre preços, cadeia de suprimentos e contratos.

Segundo os palestrantes, deixar de avaliar os dois sistemas em conjunto na formação de preços pode comprometer a competitividade. Para a equipe fiscal, isso significa participar das decisões comerciais, em vez de atuar somente depois que elas chegam à apuração.

Essa conexão reforça a importância da gestão de processos antes da emissão da nota fiscal, especialmente quando contratos e informações de origem condicionam o trabalho posterior.

Outro ponto destacado foi o levantamento de estoques, que, na avaliação dos palestrantes, tem recebido pouca atenção. A orientação foi levantar e organizar estoques e créditos na preparação para a reforma.

Dar visibilidade ao trabalho também é parte da transição

Os especialistas defenderam aproveitar o início da transição para demonstrar às empresas e aos parceiros o valor da experiência tributária. Isso aproxima a discussão de uma gestão que mede resultados além dos prazos.

Para a liderança, o próximo passo é transformar a preocupação com sobrecarga em escolhas explícitas: prioridades, responsáveis, capacidade disponível e necessidade de apoio. Preparar a reforma sem desproteger a rotina atual é o critério que deve orientar essas decisões.

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Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.

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