Um SKU reaproveitado sem revisão fiscal pode levar uma mudança de fabricação até a apuração de créditos sem o tratamento necessário. O exemplo foi apresentado por Fernanda Vilhena, Senior Enterprise Account Executive da Sovos, no Tax Summit - Roadshow, realizado em 27 de outubro, no Prodigy Santos Dumont. Na palestra Da estratégia ao fluxo de caixa, ela defendeu que preparar as empresas para a reforma exige conferir o conteúdo dos documentos, não apenas seu formato.
Fernanda relatou o caso de um cliente cujo time de compras reutilizou um SKU, código de identificação de produto, sem consultar o fiscal. O item antes era fabricado fora do Brasil e passou a ser produzido no país, mas a informação tributária não recebeu a alteração que, segundo ela, era necessária.
Na avaliação da executiva, a falha pode afetar a tomada de crédito e o resultado. O problema não nasceu no fechamento: surgiu na criação ou reutilização do cadastro e atravessou a operação sem um responsável por conferir seu efeito fiscal.
O caso ilustra uma pergunta proposta pela palestrante: onde nasce o dado fiscal e quem o verifica antes de ele virar crédito? Para a rotina das equipes, o ponto é identificar quais mudanças comerciais ou operacionais precisam passar por validação tributária.
Ao discutir a preparação para 2027, Fernanda afirmou que adequar o layout do XML não será suficiente para garantir a apuração correta. Na visão apresentada, a consistência das informações passa a conectar cada transação a tributos, preço, margem e créditos.
Esse cuidado se aproxima da necessidade de revisar XMLs, cadastros e integrações antes de mudar a operação fiscal, já abordada pelo portal. No caso relatado, porém, o foco está na decisão anterior à emissão: quem autoriza reaproveitar o cadastro e quem avalia suas consequências.
O IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026, ajuda a contextualizar essa dificuldade. Entre as empresas respondentes, 53% apontaram Estrutura e Qualidade dos Dados como complexidade na adaptação à reforma tributária; apenas 18% apresentavam níveis avançados no tratamento de dados fiscais.
Fernanda defendeu um acompanhamento contínuo da apuração, com comparação entre as informações internas e as disponibilizadas pelo Fisco. Sua preocupação é o tempo necessário para explicar uma diferença quando a regra passa por consultoria, fiscal, sistemas e TI antes de chegar ao cálculo.
Ela também questionou se todas as regras fiscais precisam permanecer no ERP. Segundo a executiva, suas atualizações podem disputar prioridade com outras demandas tecnológicas, atrasando mudanças com reflexos no resultado. É uma discussão relacionada ao risco de migrar o ERP sem revisar os processos tributários.
A palestrante organizou o diagnóstico em perguntas práticas:
Na parte comercial da apresentação, Fernanda apresentou soluções modulares da Sovos para cálculo, documentos eletrônicos, obrigações, conciliação e BI com inteligência artificial. Segundo ela, as ferramentas permitem simular modelos tributários e investigar divergências. As funcionalidades foram descritas pela representante da fornecedora.
Para dimensionar a operação, a executiva informou que a Sovos processou 70 bilhões de transações globalmente no último ano fiscal e que um cliente brasileiro movimenta quase 100 mil documentos por dia.
A escala, contudo, não substitui a definição de responsabilidades. Fernanda relatou projetos dependentes de aprovação de orçamento por CIO ou CFO, reforçando a importância de incluir tax nas decisões de preço, margem e orçamento. O encaminhamento defendido foi mapear o percurso do dado, nomear responsáveis e organizar aprovações antes que uma inconsistência chegue à apuração.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.