A reforma tributária no SAP exige dimensionar a emissão e a contabilização de notas de débito e crédito antes que o volume torne o trabalho manual inviável. No Tax Summit - Roadshow, em 28 de outubro, Natália Gomes, arquiteta de Soluções SAP da SEIDOR, relatou que um cliente estimou mais de mil notas de multa por mês. A recomendação foi avaliar essa demanda dentro da arquitetura fiscal, e não como uma tarefa isolada.
A apresentação ocorreu no palco Tax Strategy, no Prodigy Santos Dumond. O exemplo é uma estimativa daquele cliente, não uma projeção para todas as empresas, mas evidencia uma pergunta prática: quem vai emitir, contabilizar e acompanhar esses documentos quando o volume crescer?
Segundo Natália, o módulo NDC apresentado identifica notas fiscais da reforma tributária e gera alertas em um monitor, incluindo situações de estorno de crédito e notas não processadas na apuração. Ela também afirmou que a solução contabiliza as notas no momento da criação.
São funcionalidades descritas pela fornecedora durante a palestra. Para quem avalia uma implantação, o ponto é verificar como esse fluxo se conecta aos processos da própria empresa e quais ocorrências continuarão exigindo intervenção.
Como já discutido na cobertura sobre revisar processos antes de automatizar a rotina fiscal, transferir uma tarefa para o sistema não elimina a necessidade de definir regras e responsáveis.
Natália orientou identificar o motor de cálculo, aplicar SAP Notes e testar conforme os processos de cada empresa. Ela explicou que SAP ECC e S/4HANA Private utilizam motor de cálculo com procedures e esquemas dentro do próprio SAP.
A partir das recomendações da palestra, uma avaliação prática pode organizar os testes em quatro frentes:
| Frente | O que verificar |
|---|---|
| Volume de documentos | Quantas notas poderão ser geradas e quais etapas dependem de ação manual |
| Cálculo | Como as atualizações interagem com o motor e as configurações existentes |
| Contabilização | Como a criação da nota se conecta ao registro contábil |
| Monitoramento | Como identificar pendências, estornos e documentos não processados |
O desafio de integração aparece também no IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026. Entre as empresas respondentes, 52% apontaram o motor de cálculo e 49% as integrações entre sistemas como complexidades na adaptação à reforma tributária.
A automação das notas de ajuste não substitui a captura dos documentos de entrada. Natália recomendou começar a arquitetura pelo inbound, acelerando a integração das notas ao ERP para acompanhar os prazos dos créditos.
Na palestra, ela mostrou uma interface de comparação entre a base do governo e o SAP, com detalhamento por mês, dia e nota fiscal. O objetivo é localizar divergências, inclusive documentos presentes na base governamental e ainda ausentes no sistema da empresa — situação já abordada na cobertura sobre crédito que aparece antes da entrada no ERP.
Natália prevê conferências diárias da área fiscal, ampliando o trabalho antes concentrado no fechamento. Também informou que a apuração assistida segue em testes e depende de definições governamentais.
Para a empresa, a implicação é separar funcionalidades demonstradas, integrações pendentes e processos já testados. Isso exige participação conjunta de Fiscal e TI, além de acompanhamento após a implantação, como discutido na matéria sobre suporte e responsabilidades além do go live.
O próximo passo é dimensionar os documentos, testar sua contabilização e definir quem trata cada exceção. A arquitetura precisa absorver o volume sem apenas deslocar o trabalho manual de uma etapa para outra.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.