A reforma tributária nas empresas exige conectar dados fiscais, sustentação dos créditos e decisões de negócio. Nas apresentações de Diogo Brito, da NTT DATA, e de Olímpio Braga e Marcus Medeiros, da Jotun Brasil, no Tax Summit Roadshow desta quarta-feira (28), no Prodigy Santos Dumond, esses temas apareceram como prioridades para preparar a transição sem tratar a mudança apenas como troca de impostos.
O ponto de encontro entre as exposições foi a necessidade de antecipação: usar informações da operação para comparar cenários e envolver a área tributária antes que compras, vendas e contratos estejam definidos.
Brito demonstrou uma ferramenta que cruza arquivos do SPED fiscal e de contribuições com legislação para avaliar impactos específicos da empresa. As análises apresentadas abrangem créditos, composição tributária e simulações da transição entre 2026 e 2033.
Segundo o palestrante, o radar fiscal reúne mais de 41 mil artigos indexados, mais de 846 normas e mais de mil itens em tramitação. A proposta é filtrar esse acervo pelo cadastro da empresa, em vez de entregar atualizações genéricas.
A demonstração também expôs um limite prático: um NCM não reconhecido pela calculadora pode indicar classificação desatualizada ou informação enviada incorretamente. Antes de interpretar o resultado, portanto, é necessário investigar a entrada — tema detalhado na cobertura sobre o uso de dados do SAP para testar créditos e caixa.
O IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026, ajuda a contextualizar esse desafio: entre as empresas respondentes, 100% utilizam ERP, mas apenas 18% apresentam níveis avançados no tratamento de dados fiscais. O estudo reuniu 190 profissionais de Tax de empresas.
Olímpio Braga e Marcus Medeiros alertaram que créditos com respaldo legal podem sofrer glosa quando faltam documentação e estrutura de defesa. Na avaliação dos palestrantes, celebrar a identificação de um crédito sem considerar sua sustentação posterior deixa parte relevante do trabalho fora da análise.
Brito apresentou recursos para investigar créditos por fornecedor, produto, CFOP e CST, com indicação de fontes primárias. Também ressaltou que sugestões de alteração tributária precisam ser validadas pela equipe fiscal.
A leitura conjunta das apresentações é que identificar uma oportunidade não encerra o processo: é necessário verificar sua aplicação à operação e organizar os elementos que sustentam o tratamento adotado. Essa conexão entre controle e decisão também aparece na discussão sobre governança tributária para proteger o caixa.
Na demonstração de Brito, as projeções de split payment mostram operações analisadas e caixa líquido projetado. O palestrante ressaltou as incertezas sobre o mecanismo e a identificação dos cálculos que não usam dados reais ou oficiais como simulados.
Para compras, ele defendeu comparar o menor custo, não simplesmente o menor preço, considerando componentes como frete, tributos e créditos. A implicação prática é avaliar a operação completa antes de decidir pelo fornecedor.
Braga e Medeiros defenderam que a reforma envolva sistemas, departamento pessoal, compras, vendas e contratos logísticos. Para eles, substituir PIS/Cofins pela CBS não se resume a alterar uma alíquota: muda a forma de cálculo e a composição da base tributária.
Como síntese prática dos debates, três frentes merecem atenção:
Executar essa agenda enquanto as obrigações atuais continuam exige planejamento das equipes, como discutido na cobertura sobre a convivência com dois sistemas tributários. O aprendizado central é antecipar a participação de Tax, sem confundir projeção tecnológica com decisão validada.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.