A Vale trabalhou 210 mil ativos em um projeto de depreciação fiscal apoiado no SAP para antecipar deduções tributárias e reduzir controles manuais, segundo Ana Demillecamps e Julia Siqueira, da companhia. As profissionais apresentaram o caso nesta terça-feira (27/10), no Tax Summit - Roadshow, no Prodigy Santos Dumond, mostrando como integrar apuração, contabilidade e tecnologia sem alterar os registros contábeis.
Na palestra Da complexidade à automação: a jornada da depreciação fiscal, no palco Tax Innovation, elas relataram a avaliação de 500 tipos de ativos. Também estimaram que o controle equivalente em Excel demandaria aproximadamente 27 dias de trabalho por ano de um profissional — esforço evitado com a automação.
Ana explicou que a oportunidade surge quando a vida útil fiscal aplicável é menor que a contábil. Nesse cenário, a dedução ocorre mais rapidamente, com efeito sobre o caixa nos primeiros períodos e ajustes posteriores no lucro real.
Para ilustrar, apresentou um caminhão de R$ 100 mil, depreciado contabilmente em dez anos, e comparou esse prazo com quatro anos no cálculo fiscal do exemplo.
| Critério do exemplo | Prazo | Dedução anual |
|---|---|---|
| Contábil | 10 anos | R$ 10 mil |
| Fiscal | 4 anos | R$ 25 mil |
Os valores são uma ilustração da palestra, não uma indicação de prazo aplicável a qualquer veículo. Segundo Ana, o enquadramento depende das características do ativo e da legislação tributária.
A diferença representa antecipação, não economia tributária definitiva. As palestrantes destacaram o controle na parte B do LALUR e as adições posteriores, cuidado relacionado à necessidade de conciliar depreciação contábil e fiscal sem deduzir o mesmo custo duas vezes.
Julia dividiu o projeto em três fases: estudo de viabilidade, sustentabilidade e automação. O primeiro desafio era dimensionar a análise diante de um catálogo que, segundo ela, reúne aproximadamente 3 mil tipos de ativos.
A equipe identificou que cerca de 30% das classes concentravam 80% da depreciação da companhia. A prioridade passou a ser esse conjunto, em vez de replicar toda a base no controle fiscal.
De acordo com Julia, 70% dos ativos analisados na segunda fase tinham vida útil fiscal menor que a contábil e eram elegíveis ao projeto. Categorias avulsas e valores pouco relevantes ficaram fora do escopo, conforme relataram as profissionais.
O IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026, oferece contexto para essa implantação em etapas: entre as empresas respondentes, 45% citaram a implantação em etapas e 44% a qualidade de dados como fatores de sucesso de projetos tecnológicos em Tax.
A solução descrita pelas palestrantes foi criar a área de avaliação 82 no SAP como livro fiscal paralelo. Ela recebe os valores contábeis espelhados, enquanto os ajustes fiscais permanecem separados da contabilidade.
O acompanhamento inclui capitalizações, baixas, transferências e reclassificações. A depreciação fiscal é calculada individualmente e comparada à contábil para determinar o efeito na apuração.
Na avaliação de Ana, automatizar esse acompanhamento reduz o risco de perder movimentações entre operação, contabilidade e fiscal. O caso reforça a importância de rever os processos tributários ao estruturar o ERP, em vez de apenas transportar controles existentes.
Segundo Julia, os dados necessários ao relatório passaram a ser buscados diretamente no SAP Datasphere. O Financial Analytics Center implementou a tecnologia, enquanto a equipe fiscal definiu as regras do cálculo.
TI, ativos, contabilidade, FP&A e consultorias também participaram. As palestrantes relataram redução do imposto a pagar dentro da legislação, sem divulgar o valor financeiro.
Para a rotina tributária, a principal lição do caso é combinar enquadramento dos ativos, rastreabilidade e integração entre áreas. A antecipação de deduções exige que o controle continue funcionando após a implantação, acompanhando cada movimento patrimonial.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.