A reforma tributária exige reavaliar os regimes aduaneiros pelo efeito no caixa e pelas exigências de controle, destacou Sidneia Amorim, Pre-Sales Manager de Global Trade da Thomson Reuters, no Tax Summit - Roadshow desta quarta-feira (28). Para a executiva, a decisão precisa reunir conhecimento fiscal, dados da operação e tecnologia, em vez de considerar apenas o benefício tributário isolado.
Na palestra no palco Tax Innovation, no Prodigy Santos Dumont, ela apontou mudanças no tratamento de IBS e CBS como motivo para comparar alternativas de importação e exportação. Também chamou atenção para a participação crescente de líderes tributários nas decisões de comércio exterior.
Amorim destacou diferenças entre o drawback suspensão, o drawback isenção e o RECOF diante dos novos tributos. Segundo sua exposição, o drawback suspensão terá suspensão de IBS e CBS, enquanto a modalidade isenção não abrangerá esses tributos, o que tem motivado empresas a avaliar outros regimes.
A executiva também apresentou o RECOF como alternativa a explorar e afirmou que empresas com certificação OEA poderão recolher IBS e CBS após a liberação dos bens importados. São pontos que precisam ser confrontados com a regulamentação e as condições aplicáveis a cada operação antes de orientar uma mudança.
A análise prática não se resume ao imposto suspenso: deve comparar o momento do desembolso, o aproveitamento de créditos, as condições de habilitação e o esforço necessário para manter os controles.
| Frente de análise | Pergunta para a equipe fiscal |
|---|---|
| Tratamento tributário | Quais tributos e operações o regime alcança? |
| Fluxo de caixa | Quando ocorre o pagamento ou a recuperação do crédito? |
| Governança | Quais registros e controles precisam ser mantidos? |
| Viabilidade operacional | Os sistemas conseguem acompanhar as exigências? |
Na exposição, Amorim destacou a imunidade das exportações de bens e serviços ao IBS e à CBS e a possibilidade de aproveitamento de créditos. Também ressaltou que a expectativa de acelerar ressarcimentos pode beneficiar o fluxo de caixa.
Para a gestão tributária, porém, expectativa de recuperação e disponibilidade financeira são coisas distintas. Como orientação de planejamento, convém separar créditos identificados, valores aproveitáveis e recursos efetivamente recebidos, sem tratar uma promessa de agilidade como prazo garantido.
Esse cuidado começa antes da operação. A discussão se conecta à necessidade de envolver Tax antes de fechar contratos com o exterior, quando ainda é possível avaliar custos, créditos e alternativas contratuais.
Amorim recomendou pesquisar o mercado e analisar a classificação fiscal antes de importar ou exportar, identificando restrições e documentação necessária. Alertou ainda que uma análise pontual de conformidade comercial não substitui o monitoramento contínuo dos parceiros.
A consequência operacional é definir responsáveis pelos alertas e pela atualização dos dados. Automatizar sem essa definição pode apenas acelerar uma rotina incompleta, como discutido na cobertura sobre revisar processos antes de implantar tecnologia fiscal.
A segurança dos dados em nuvem e nas soluções com inteligência artificial foi outro alerta da palestrante. A adoção precisa considerar quais informações serão compartilhadas e quem poderá acessá-las.
O IMTT — Índice de Maturidade Tecnológica em Tax, da Confeb, de 2026, ajuda a dimensionar essa lacuna: entre as empresas respondentes, 93% não têm governança oficial de IA e 53% não possuem aplicações de IA em uso recorrente.
O ponto reforça a importância de preservar a responsabilidade humana nas decisões fiscais apoiadas por IA. Para transformar a revisão dos regimes em decisão, o próximo passo é reunir fiscal, comércio exterior, financeiro e tecnologia e comparar cenários de custo, crédito e caixa com premissas documentadas.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.