As empresas precisam preparar suas equipes fiscais para operar dois sistemas tributários sem interromper as entregas atuais, alertaram Maria Helena Ferreira e Ricksson Petry, da GESIF, no Tax Summit — Roadshow, nesta quarta-feira (28), no Prodigy Santos Dumond. O ponto central da palestra foi a capacidade das pessoas: adaptar sistemas e acompanhar a legislação não substitui orçamento, capacitação e distribuição de trabalho.
“Serão dois sistemas e a gente tem um time só”, resumiram os palestrantes. A discussão, no palco Tax Strategy, tratou do redesenho das equipes para o período de convivência abordado na sessão, entre 2027 e 2033.
Ferreira e Petry questionaram se as empresas reservaram recursos para ampliar o quadro, capacitar profissionais e contratar consultoria especializada. A provocação desloca a preparação da reforma de uma agenda exclusivamente tecnológica para uma decisão de capacidade operacional.
A pressão sobre as equipes também aparece no TPI — Tax Performance Index, da Confeb, de 2026: entre as empresas respondentes, 51% citaram falta de tempo como barreira para melhorar o desempenho dos indicadores tributários, e 46% apontaram capacitação da equipe. Os resultados ajudam a contextualizar o desafio de acrescentar novas demandas à rotina existente.
Na prática, a discussão exige separar o trabalho que mantém a operação daquele necessário à mudança. Essa é uma leitura de gestão dos alertas apresentados: sem explicitar as duas cargas, a empresa corre o risco de tratar a preparação como uma tarefa adicional sem responsável ou disponibilidade definidos.
A capacitação também precisa ter aplicação operacional, como já abordamos ao discutir treinamentos ligados à rotina fiscal, e não apenas conhecimento das novas regras.
Os palestrantes recomendaram buscar alternativas no mercado para demandas sazonais. Também alertaram contra concentrar os melhores profissionais na reforma e, com isso, colocar em risco a operação tributária atual.
A recomendação não equivale a terceirizar toda a transição. O desafio é decidir quais atividades precisam permanecer sob domínio da equipe e onde um reforço pode absorver picos de trabalho.
Como desdobramento prático da discussão, estas perguntas ajudam a organizar essa decisão:
| Frente | Pergunta para a liderança |
|---|---|
| Operação atual | Quem mantém as entregas quando especialistas estão dedicados à reforma? |
| Preparação | Há tempo e orçamento reservados para capacitação e adaptação? |
| Apoio externo | Qual demanda sazonal justifica reforço e quem acompanha sua execução? |
Ferreira e Petry demonstraram preocupação com empresas que ainda concentram a preparação apenas no tributário. Recomendaram envolver pricing e jurídico diante dos efeitos sobre preços, cadeia de suprimentos e contratos.
Segundo os palestrantes, deixar de avaliar os dois sistemas em conjunto na formação de preços pode comprometer a competitividade. Para a equipe fiscal, isso significa participar das decisões comerciais, em vez de atuar somente depois que elas chegam à apuração.
Essa conexão reforça a importância da gestão de processos antes da emissão da nota fiscal, especialmente quando contratos e informações de origem condicionam o trabalho posterior.
Outro ponto destacado foi o levantamento de estoques, que, na avaliação dos palestrantes, tem recebido pouca atenção. A orientação foi levantar e organizar estoques e créditos na preparação para a reforma.
Os especialistas defenderam aproveitar o início da transição para demonstrar às empresas e aos parceiros o valor da experiência tributária. Isso aproxima a discussão de uma gestão que mede resultados além dos prazos.
Para a liderança, o próximo passo é transformar a preocupação com sobrecarga em escolhas explícitas: prioridades, responsáveis, capacidade disponível e necessidade de apoio. Preparar a reforma sem desproteger a rotina atual é o critério que deve orientar essas decisões.
Este conteúdo foi produzido com apoio de inteligência artificial e revisado pela equipe editorial da Live University.